PATENTES FARMACÊUTICAS E O DESAFIO DO ACESSO A MEDICAMENTOS PARA A SAÚDE PÚBLICA
Palavras-chave:
Propriedade intelectual; Patentes farmacêuticas; Direito à saúde; Acesso a medicamentos.Resumo
O presente estudo investiga a complexa interface entre o regime de propriedade intelectual e os imperativos da saúde pública, focando no impacto das patentes farmacêuticas sobre o acesso a medicamentos. O objetivo central é analisar criticamente a dupla função do regime patentário: inicialmente como catalisador da inovação tecnológica e como potencial barreira à plena efetivação do direito fundamental à saúde. A pesquisa utilizou abordagem qualitativa e exploratória, com método dedutivo e procedimento bibliográfico-documental, fundamentada em artigos científicos, relatórios de organismos multilaterais e legislações. Os resultados indicam um paradoxo: embora o sistema de patentes incentive aportes de capital em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), também permeia barreiras significativas ao acesso universal a medicamentos, com impacto desproporcional sobre países de baixa e média renda. No contexto brasileiro, o retardo na análise de patentes (backlog) impõe um ônus financeiro excessivo ao Sistema Único de Saúde (SUS), postergando a entrada de fármacos genéricos e comprometendo a sustentabilidade econômica das políticas públicas. Conclui-se que o desafio não reside num conflito irreconciliável entre inovação e acesso, mas no imperativo de formular modelos regulatórios equilibrados, capazes de harmonizar a proteção da propriedade intelectual com a efetividade do direito à saúde, compreendida como bem público global.
Downloads
Referências
BASSO, Maristela. Propriedade intelectual na era pós-TRIPS: desafios e perspectivas. Revista de Direito Internacional, v. 16, n. 2, p. 89-108, 2019.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, 5 out. 1988.
CORREA, Carlos M. Public health and intellectual property: innovation and access in the post-COVID scenario.Journal of World Intellectual Property, v. 23, n. 5-6, p. 498-515, 2020.
GADELHA, Carlos Augusto et al. Inovação em saúde: dilemas entre a política industrial e a política social. Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, n. 6, p. 2033-2042, 2018.
LOVE, James; HUBER, Georg. Patents and access to medicines: challenges for developing countries. Health Policy and Planning, v. 30, n. 3, p. 346-354, 2015.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Public health implications of intellectual property rights: COVID-19 and access to medicines. Geneva: WHO, 2020. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: 18 ago. 2025.
BRASIL. Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial.
BOSCHIERO, Nerina. Intellectual property rights and public health : An impediment to access to medicines and health technology innovation? [s.l.] Università degli Studi di Milano, 2016.
CORREA, Carlos. M. Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights: A Commentary on the TRIPS Agreement. Oxford: Oxford University Press, 2007.
GADELHA, C. A. G. et al. Transformações e assimetrias tecnológicas globais: estratégia de desenvolvimento e desafios estruturais para o Sistema Único de Saúde. Ciencia & saude coletiva, v. 23, n. 7, p. 2119–2132, 2018.
LONDERO, A. S.; PEREIRA, K.; DE GREGORI, C. S. O direito à saúde e o direito às patentes de medicamentos em tempos de pandemia. OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, [S. l.], v. 21, n. 1, p. 430–451, 2023. DOI: 10.55905/oelv21n1-024. Disponível em: https://ojs.observatoriolatinoamericano.com/ojs/index.php/olel/article/view/288. Acesso em: 14 ago. 2025.
MOTARI, M. et al. The role of intellectual property rights on access to medicines in the WHO African region: 25 years after the TRIPS agreement. BMC Public Health, v. 21, n. 1, 11 mar. 2021.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). World Health Report: Medicines – access and innovation. Geneva: WHO, 2020.
ORNELLAS, Maria Cristina Gomes da Silva d’; NORONHA, Pâmela da Costa. Direito Humano à Saúde, Acesso a Medicamentos e Propriedade Industrial: Interpretação do Conceito de Invenção e dos Requisitos de Patenteabilidade no Âmbito Farmacêutico. Revista de Direitos Humanos em Perspectiva, Florianopolis, Brasil, v. 2, n. 2, p. 128–143, 2016. DOI: 10.26668/IndexLawJournals/2526-0197/2016.v2i2.1399. Disponível em: https://indexlaw.org/index.php/direitoshumanos/article/view/1399. Acesso em: 12 ago. 2025.
VELÁSQUEZ, G. Vaccines, medicines and COVID-19: How can WHO be given a stronger voice? 1. ed. Cham, Switzerland: Springer Nature, 2021.
WTO. WTO | Ministerial conferences - Doha 4th Ministerial - TRIPS declaration. Disponível em: https://www.wto.org/english/thewto_e/minist_e/min01_e/mindecl_trips_e.htm Acesso em: 11 ago. 2025
REICHMAN, J.; HASENZAHL, C. Non-voluntary licensing of patented inventions: historical perspective, legal framework under TRIPS, and an overview of the practice in Canada and the United States of America. ICTSD/UNCTAD, 2003.
THE AFRICAN REGIONAL INTELLECTUAL PROPERTY ORGANIZATION (ARIPO). Home - the African Regional Intellectual Property Organization (ARIPO). Disponível em: https://www.aripo.org/. Acesso em: 14 ago. 2025.
WANG, L. X. Global drug diffusion and innovation with the medicines patent pool. Journal of Health Economics, v. 85, p. 102671, set. 2022.
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista Brasileira de Desenvolvimento e Inovação

Esta obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 Unported License.
Os autores se responsabilizam civil, administra e penalmente pela originalidade das publicações e tem ciência absoluta de que textos que não são de suas respectivas autorias podem gerar procedimentos judiciais ou administrativos, bem como a exclusão permanente do respectivo manuscrito da plataforma.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution 3.0 Unported License, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista. Esta licença permite que outros distribuam, remixem, adaptem ou criem obras derivadas, mesmo que para uso com fins comerciais, contanto que seja dado crédito pela criação original.
b) Não cabe aos autores compensação financeira a qualquer título, por artigos ou resenhas publicados na RBDIN.
c) Os artigos e resenhas publicados na RBDIN são de responsabilidade exclusiva dos autores.
d) Após sua aprovação, os autores serão identificados em cada artigo, devendo informar à RBDIN sua instituição de ensino/pesquisa de vínculo e seu endereço completo.
